O caminho foi longo e difícil, cheio de pedras de todos os tamanhos e tempestades em dias de sol. Aos poucos avançamos e agora estamos muito próximos daquela beira de rio onde a tranquilidade domina o ar fresco e limpo. Enfim, tirando essa conversa poética barata de lado, o fato é que falta mesmo muito pouco para a conclusão do projeto. Nosso filho irá nascer, depois de longos 18 meses. Em breve colocarei aqui um ultra-som com uma prévia do que será visto, bem do jeito que essas imagens são, numa qualidade duvidosa (internet é internet, cinema é cinema), mas que já poderá satisfazer os olhares dos curiosos e da família que aguarda esse filho há tanto tempo. Até lá, seguimos em frente, pois ainda há (acredite) muito o que fazer.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
It´s a Long, Long Way
O caminho foi longo e difícil, cheio de pedras de todos os tamanhos e tempestades em dias de sol. Aos poucos avançamos e agora estamos muito próximos daquela beira de rio onde a tranquilidade domina o ar fresco e limpo. Enfim, tirando essa conversa poética barata de lado, o fato é que falta mesmo muito pouco para a conclusão do projeto. Nosso filho irá nascer, depois de longos 18 meses. Em breve colocarei aqui um ultra-som com uma prévia do que será visto, bem do jeito que essas imagens são, numa qualidade duvidosa (internet é internet, cinema é cinema), mas que já poderá satisfazer os olhares dos curiosos e da família que aguarda esse filho há tanto tempo. Até lá, seguimos em frente, pois ainda há (acredite) muito o que fazer.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Sobre Rotoscopia e Colagens
Rotoscopia é uma técnica de animação em que utilizamos uma filmagem de modelos vivos para posteriormente editarmos quadro-a-quadro cada movimento dos elementos em cena. Essa descrição está muito próxima daquela vista nas enciclopédias e dicionários mundo afora. Basicamente, a partir do momento que você separa o filme capturado em quadros, alterando-os da forma que desejar, você está fazendo rotoscopia.No nosso filme, realmente filmamos tudo em locações reais (com a excessão de 3 cenas, gravadas em chroma key - aquele fundo verde amplamente utilizado em Hollywood) e após a edição, dividimos tudo em milhares de quadros. Ao invés de redesenharmos cada personagem quadro-a-quadro, o que levaria aproximadamente 5 anos (tempo utópico), optamos por recortar todos os personagens na mão - o que também é um trabalho penoso, já que temos aproximadamente 20.000 quadros no filme todo. Em seguida, editamos esses recortes para deixá-los com um aspecto de desenho para finalmente, aplicarmos nos cenários redesenhados (alguns exemplos nos posts anteriores). Ainda inserimos em alguns planos um contorno a mão, também feito quadro-a-quadro, sobre a personagem principal.
Como recortamos todos os frames na mão, os movimentos dos personagens ficaram interessantes e muito próximos daqueles vistos em filmes de rotoscopia. No fim, acabamos utilizando uma técnica mista de rotoscopia, recortes e colagens, deixando o filme com um visual original e estranho, no bom sentido.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Contagem Regressiva
No ínicio deste blog falei que ainda faltava muito para chegarmos lá. Como na vida, nunca chegamos a lugar algum, mesmo depois da finalização do curta, continuaremos os trabalhos que serão menos criativos e mais comerciais, visando exibições, festivais e qualquer tipo de divulgação (boa ou ruim). Pois é, falta muito e ao mesmo tempo falta pouco para terminarmos a pós-produção. Pouco, pois o tempo e o prazo são curtos e relativamente já fizemos a maior parte do que deveríamos ter feito. Muito, pois estamos na etapa final, onde detalhes pequenos costumam roubar nosso (cada vez mais) precioso tempo. É hora de juntarmos todas as peças do jogo: backgrounds, rotoscopia, design de som, trilha, e por fim a edição afinada compondo todos esses outros elementos. Pergunto pro Walkir: vai dar tempo? Até agora a resposta tem sido positiva. Espero que ele esteja certo.
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Ruídos e Sons Musicais
Após o término das gravações e da edição, me reuni com o Guto, passei todo o material de referência e discuti sobre os caminhos que ele poderia seguir. Expliquei que o filme estava dividido em três partes, e imaginava um tratamento sonoro distinto para cada uma delas. Conversamos muito neste primeiro encontro, porém poucas idéias concretas surgiram.
Umas duas semanas se passaram até a gente se ver novamente, desta vez no seu estúdio. Lá ele me mostrou uma espécie de colagem esquisita com sinos e corais italianos, tudo numa atmosfera sombria e fria, bem como eu havia imaginado. O Guto está mais ligado em música erudita, em composições mais orquestradas e bem mais complexas. Falei que essas coisas não caberiam neste filme e o legal foi que ele pescou toda essa esquisitice que eu queria sem grandes dificuldades. A idéia era que no começo só haveriam ruídos e colagens de sons e aos poucos uma melodia iria aparecer, progredindo para uma música mais sólida no terceiro ato.
Enfim, o Guto ficou contente em trabalharmos desta forma, para ele estava sendo uma experiência nova e para mim, estava sendo exatamente como eu havia imaginado trabalhar. Sempre achei que o diretor pode ter uma influência importante na construção musical de um filme, mesmo que muitos prefiram não interferir muito neste processo. Abaixo, algumas referências utilizadas:
Beulah - Yoko
John Lennon - Plastic Ono Band
Bright Eyes - Lifted or the story is in the soil...
M. Ward - End of Amnesia
Sean Lennon - Friendly Fire
The Doors - Strange Days
Eels - Electro Shock Blues
Clem Snide - The Ghost of Fashion
The Czars - Goodbye
Badly Drawn Boy - Have you fed the Fish
John Lurie - Fishing With John
Andrew Bird - The Mysterious Production of Eggs
Nick Drake - Five Leaves Left
Circulatory System - Circulatory System
Modest Mouse - Everywhere and His Nasty Parlour Tricks
Califone - Quicksand/Cradlesnakes
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Artes Conceituais


Com a edição pronta, era hora dos desenhistas de plantão iniciarem os trabalhos. Definimos já de cara que todos os cenários do filme teriam um tratamento especial, portanto nada que foi visto nas filmagens seria transposto para a rotoscopia. Apenas usaríamos as mesmas como referência, mantendo os objetos nos mesmos lugares, mas com um visual muito diferente daquele captado pelas câmeras.Antes de começar o trabalho mais intenso de detalhamento de cada cenário, os desenhistas apresentaram algumas idéias pra determinadas cenas, mostrando as diferentes possibilidades artísticas para cada trecho do nosso querido filme. Nesta parte, palpitei muito e sugeri algumas mudanças, além de concordar com alguns conceitos estéticos propostos. O primeiro deles foi definido para a cena do cemitério, onde optamos por um visual monocromático, porém evitando cair no preto e branco comum. Para isso, os desenhistas propuseram um tom levemente avermelhado e uma textura que remetesse a um papel sujo e antigo. Já havia postado uma imagem deste visual e aqui insiro mais uma para vocês entenderem melhor a idéia. Abaixo dela há um estudo de um outro plano e no fim, o resultado final. Particularmente (e muito suspeitamente) gostei muito do trabalho dos desenhistas. Parabéns ao Walkir e sua equipe.
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Hélio, o Contador de Histórias
Após a conclusão do roteiro, pensei na possibilidade de chamar o Hélio (Leite) para fazer um dos personagens estranhos que Sarah encontra pelo caminho. Também pensei em não escrever os diálogos desta cena, apenas ensaiarmos algumas vezes, deixando os atores improvisarem, sem estarem amarrados a algumas linhas de roteiro. Até então, conhecia o Hélio somente por aquilo que vi na feirinha de domingo. No dia que mostrei o roteiro e o storyboard pra ele, foi engraçado, pois ele falou muito pouco, soltou apenas um "Vai ficar legal". Na primeira vez que ensaiamos, ele já estava bem mais falante, havia trazido seus "brinquedos" e emendava uma história na outra. Comentei que seria legal se ele contasse alguma história que tivesse água no meio, por ser um elemento semioticamente importante no filme. Em minutos ele nos contou duas histórias muito boas, ensaiamos a cena com a segunda e achei que tinha ficado ótimo. No fim, a (cruel) edição tratou de cortar a história por comprometer o ritmo e o tempo do filme (que com ela ficaria com mais de 20 minutos).
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Na (Escura)Sala de Edição
Após o término das gravações fomos para a produtora Plano 9 munidos de pelo menos uma dezena de fitas com todo o material captado meses antes. Passamos alguns dias apenas organizando os planos e capturando somente o material que houvesse possibilidade de ser aproveitado. Conversei algumas vezes com o Sergio (Ortencio) sobre o ritmo que o filme deveria ter, os respiros e alguns possíveis cortes. Pré-editamos tudo em poucos dias e fechamos o primeiro corte que acabou ficando, como sempre, longo demais. Quase trinta minutos. Precisávamos tirar o excesso, as redundâncias e tudo que não tivesse algo a acrescentar ao entendimento da história. Cortamos um diálogo longo na segunda parte, e depois disso percebemos que o ritmo havia melhorado, criando uma unidade melhor com o restante do material.Uma ou duas semanas se passaram quando revimos a edição, fizemos mais algumas mudanças e saí de lá com o filme "fechado". As aspas são necessárias, pois após mostrar o corte pro Walkir, este ficou com uma pulga atrás da orelha, com uma sensação de "faltou alguma coisa". Eu, Tiago, Walkir e Sandro (amigo-consultor-artístico) discutimos uma noite sobre as diferentes possibilidades de melhorarmos a primeira parte do filme, aquela que estávamos ligeiramente incomodados. Realmente eu achava que estava faltando alguma mudança na edição, algo que fugisse um pouco do roteiro, mas que funcionasse na tela. Quando fui ao banheiro, tive uma idéia que me pareceu um pouco absurda na hora, mas que se confirmou plausível no momento que voltei para sala onde estavam todos. Sugeri que mudássemos radicalmente o início do filme, simplificando um pouco os acontecimentos, e com isso, ganharíamos também no tempo total (que ainda estava longo). Saí de lá mais confiante e já no dia seguinte fiz as alterações em casa. Chamei os três lá e fechamos a edição neste último corte.
sábado, 27 de dezembro de 2008
A Espera de um Trem
Era uma tarde quente de verão e lá estávamos, em um lugar tranquilo, com passarinhos cantando, árvores e toda uma natureza contemplativa ao nosso redor. Estávamos no meio de um trilho de trem, uma parte da equipe estava de "folga" e neste dia, além da Dani e eu, Tiago, Walkir, Anna Flor, Ricardo (e família) nos acompanhavam. Gravamos os planos com a Dani andando no trilho e em seguida nos preparamos para a parte que seria bem mais complicada. Precisávamos filmar o trem passando com a Dani ao lado do trilho. Detalhe: não sabíamos o horário exato que o maldito trem passaria. A informação que tínhamos era que o mesmo poderia passar das duas até as seis da tarde, ou seja, nos preparamos para longas horas de espera. Tivemos que planejar tudo antecipadamente, enquanto Tiago e eu ficaríamos numa câmera, a Dani estaria na nossa frente, do outro lado do trilho. A Anna Flor teve que ficar mais na frente, para evitar que pessoas aparececem no plano e o Walkir precisou se posicionar lá atrás para nos telefonar avisando o momento que o trem estivesse passando por ele. Ainda tinha o Ricardo, que posicionou sua câmera num tripé bem no meio do trilho, e no momento que o trem chegasse perto, ele tiraria o tripé e ainda filmaria o trem lateralmente, pegando detalhes das rodas e do trilho.Depois de três longas horas, conversas sobre o nada e histórias sobre a vida (algumas contadas por um bêbado-ex-presidiário-mendigo), eis que o trem mais aguardado por todos resolve aparecer. Neste instante, é celular do Walkir me ligando; é Anna Flor gritando e segurando ciclistas e pedestres que insistem em querem aparecer no filme; é Tiago ligando a câmera na pressa e me perguntando se a Dani tava no lugar certo; é Ricardo segurando sua câmera até o último segundo possível antes de tirá-la do trilho e correr para fora; e é Dani morrendo de medo do trem que passa por ela tirando um fino de assustar até o bêbado-ex-presidiário-mendigo que enxia nosso saco horas antes. Três horas inertes para três minutos de adrenalina pura.
domingo, 21 de dezembro de 2008
No Convento
Precisávamos de um corredor. Daqueles bem grandes. Tentamos alguns lugares até que a Dani lembrou do convento que sua mãe frequentou anos atrás. Sim, sua mãe é uma ex-freira. Chegando lá, conversamos com uma freira muito agradável que nos acompanhou pelos corredores gigantescos e em seguida, aceitou que gravássemos a cena. Não falamos muito sobre o filme pra ela, apenas garantimos que nada que seria gravado ali teria alguma conotação sexual/violenta/preconceituosa. A foto acima pode ser vista como um símbolo da beleza deste convento, assim como sua história, ainda preservada.
domingo, 14 de dezembro de 2008
Cara Estranho
Depois de algumas conversas, Walkir aceitou fazer o papel do primeiro cara estranho que Sara encontra em sua "jornada". Em seguida, discutimos sobre as possibilidades desse personagem, seus trejeitos e seu background. Como fiz para Sara, escrevi um texto autobiográfico e entreguei ao Walkir. No mesmo dia conversamos a respeito e somente nesse dia ele conseguiu ter uma idéia mais concreta do que eu havia imaginado. Antes tudo estava nebuloso demais, e eu mudava de opinião constantemente, o que confundia a cabeça do Walkir, o deixando inseguro. Durante essas semanas de construção do personagem, ele apareceu com alguns desenhos interessantes sobre como esse cara poderia parecer. Esse que vocês estão vendo aí encima é um exemplo disso. Mudamos algumas coisas dias antes da gravação, mas o conceito básico continuou o mesmo.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
O Ônibus Que Não Estava Lá
No segundo dia de gravações, acordamos cedo novamente (algo que normalmente prefiro evitar), e fomos rumo a um terminal de ônibus, em um lugar distante e desconhecido por muitos. Meu amigo Eduardo advogava (e ainda advoga) para uma empresa terceirizada da URBS, responsável por uma boa parte da frota de ônibus vermelhos, amarelos, cinzas e outras cores mais que costumam transitar por essa cidade.Através dele, e também com a autorização da prefeitura que a Anna Flor havia conseguido, conseguimos gravar uma cena em um ônibus cedido especialmente pra gente. Nesta manhã, tivemos além do veículo, um motorista simpático a nossa inteira disposição. Repetimos um pequeno trecho diversas vezes, gravando de várias formas possíveis e no fim, duas horas depois, voltamos ao terminal. Agradecemos ao motorista e a todos que ali estavam. Tiramos fotos e trocamos telefones. Meses depois, na sala de edição, acabamos cortando a cena. Ela estava ótima, mas precisávamos tirar o excesso, caso contrário o filme viraria um média metragem. Sentimos que ela estava de alguma forma atrapalhando o ritmo da história, justificando o seu corte.
sábado, 6 de dezembro de 2008
3 em 1
Terminada a cena do cemitério, juntamos nossos trapos (kilos e kilos de equipamento alugado), devolvemos o caixão emprestado (e que valia exatamente o valor da nossa produção), e fomos para a casa do Tiago, gravar mais três cenas. Nesta tarde, Chapéu foi o grande responsável pela ótima iluminação em um "estúdio" totalmente improvisado, montado na sala do Tiago. Com alguns truques e uma combinação de agilidade/criatividade transformamos o lugar em três locações distintas. Momentos depois, tivemos nosso maior problema até então. Alugamos um baita equipamento de som e na hora de ligarmos um dos microfones na câmera do Chapéu, sentimos um cheiro de queimado daqueles que você até espera sentir numa cozinha, mas nunca em um estúdio (exceto nos filmes pirofágicos). Pensamos: legal, no primeiro dia de filmagem já conseguimos detonar uma câmera e ainda ficamos sem o som "profissional" que investimos e que estava consumindo boa parte do nosso orçamento. Depois damos um jeito, pensei. É certo que essa história de deixar pra resolver um problema na edição é algo que deve ser evitado, mas nesse dia não tivemos outra alternativa.
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terça-feira, 2 de dezembro de 2008
O 1º Dia
Não lembro se era oito da manhã ou ainda mais cedo, me recordo que era feriado de carnaval e lá estávamos, no cemitério municipal, prestes a iniciar as primeiras gravações. Enquanto a Carla maquiava os atores, eu e o Tiago posicionávamos as câmeras para os primeiros planos do dia. Nessa cena, utilizamos duas câmeras: uma para um plano bem aberto e que inicialmente seria o primeiro do filme, e outro frontal, pegando o caixão e os atores ao redor do mesmo. Depois reposicionamos a primeira câmera para um ponto no meio das árvores, pra termos mais uma opção de corte na edição. O primeiro problema que enfrentamos neste dia foi concorrermos com outro enterro (esse verdadeiro) que estava em andamento no mesmo horário do nosso. Os isopores/refletores que o Chapéu havia colocado nas pilastras próximas aos atores estavam refletindo nas pessoas desse outro enterro, o que incomodou um rapaz que estava "somente" prestando condolências a sua própria mãe. Com certa razão, ele disse que chamaria a polícia caso filmássemos o enterro de sua mãe, o que não tínhamos nenhuma intenção de fazer. Com um pouco de conversa e compreensão, conseguimos evitar maiores problemas e prosseguimos com as gravações.
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