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domingo, 22 de março de 2009

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Sobre Rotoscopia e Colagens

Rotoscopia é uma técnica de animação em que utilizamos uma filmagem de modelos vivos para posteriormente editarmos quadro-a-quadro cada movimento dos elementos em cena. Essa descrição está muito próxima daquela vista nas enciclopédias e dicionários mundo afora. Basicamente, a partir do momento que você separa o filme capturado em quadros, alterando-os da forma que desejar, você está fazendo rotoscopia.

No nosso filme, realmente filmamos tudo em locações reais (com a excessão de 3 cenas, gravadas em chroma key - aquele fundo verde amplamente utilizado em Hollywood) e após a edição, dividimos tudo em milhares de quadros. Ao invés de redesenharmos cada personagem quadro-a-quadro, o que levaria aproximadamente 5 anos (tempo utópico), optamos por recortar todos os personagens na mão - o que também é um trabalho penoso, já que temos aproximadamente 20.000 quadros no filme todo. Em seguida, editamos esses recortes para deixá-los com um aspecto de desenho para finalmente, aplicarmos nos cenários redesenhados (alguns exemplos nos posts anteriores). Ainda inserimos em alguns planos um contorno a mão, também feito quadro-a-quadro, sobre a personagem principal.

Como recortamos todos os frames na mão, os movimentos dos personagens ficaram interessantes e muito próximos daqueles vistos em filmes de rotoscopia. No fim, acabamos utilizando uma técnica mista de rotoscopia, recortes e colagens, deixando o filme com um visual original e estranho, no bom sentido.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Contagem Regressiva

No ínicio deste blog falei que ainda faltava muito para chegarmos lá. Como na vida, nunca chegamos a lugar algum, mesmo depois da finalização do curta, continuaremos os trabalhos que serão menos criativos e mais comerciais, visando exibições, festivais e qualquer tipo de divulgação (boa ou ruim). Pois é, falta muito e ao mesmo tempo falta pouco para terminarmos a pós-produção. Pouco, pois o tempo e o prazo são curtos e relativamente já fizemos a maior parte do que deveríamos ter feito. Muito, pois estamos na etapa final, onde detalhes pequenos costumam roubar nosso (cada vez mais) precioso tempo. É hora de juntarmos todas as peças do jogo: backgrounds, rotoscopia, design de som, trilha, e por fim a edição afinada compondo todos esses outros elementos. Pergunto pro Walkir: vai dar tempo? Até agora a resposta tem sido positiva. Espero que ele esteja certo.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Artes Conceituais

Com a edição pronta, era hora dos desenhistas de plantão iniciarem os trabalhos. Definimos já de cara que todos os cenários do filme teriam um tratamento especial, portanto nada que foi visto nas filmagens seria transposto para a rotoscopia. Apenas usaríamos as mesmas como referência, mantendo os objetos nos mesmos lugares, mas com um visual muito diferente daquele captado pelas câmeras.

Antes de começar o trabalho mais intenso de detalhamento de cada cenário, os desenhistas apresentaram algumas idéias pra determinadas cenas, mostrando as diferentes possibilidades artísticas para cada trecho do nosso querido filme. Nesta parte, palpitei muito e sugeri algumas mudanças, além de concordar com alguns conceitos estéticos propostos. O primeiro deles foi definido para a cena do cemitério, onde optamos por um visual monocromático, porém evitando cair no preto e branco comum. Para isso, os desenhistas propuseram um tom levemente avermelhado e uma textura que remetesse a um papel sujo e antigo. Já havia postado uma imagem deste visual e aqui insiro mais uma para vocês entenderem melhor a idéia. Abaixo dela há um estudo de um outro plano e no fim, o resultado final. Particularmente (e muito suspeitamente) gostei muito do trabalho dos desenhistas. Parabéns ao Walkir e sua equipe.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O Projeto

100% independente, sem apoios ou dinheiro mesmo. Tinhamos uma noção que levaríamos pelo menos uns 3 anos para conclui-lo, a não ser que esquecêssemos da rotoscopia, o que significaria esquecermos do projeto, já que todo ele foi baseado justamente nessa técnica linda. Foi nessa época que alguém ficou sabendo por outro alguém sobre um tal edital da prefeitura, em que projetos de iniciantes eram "contemplados" (adoro essa palavra) e para isso, bastava apenas inscrevermos nosso projeto e depois aguardarmos o resultado do Edital. Essa parte não foi tão simples assim, afinal, tivemos que preencher diversos formulários, além de colher o maior material possível a respeito do filme, currículos dos participantes, clippings, e...documentos. Vários documentos. Caso o projeto não fosse contemplado, esses documentos, ou melhor, a falta de algum deles, seria a provável razão. Por sorte, deu tudo certo e um belo dia o sr. walkir me liga dando os parabéns. Fiquei feliz por vários motivos, entre eles a constatação que o projeto seguiu os padrões formais exigidos (coisa que eu duvidava muito), e principalmente por saber que assim, o projeto realmente sairia do papel. Agradecimentos especiais a Prefeitura Municipal de Curitiba e sua maravilhosa Fundação Cultural.

O vídeo abaixo foi feito pelo Tiago, com imagens da noite que terminamos de escrever o projeto.


Edição: Tiago Valério Arte: Igor Moura

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Da Cabeça para o Papel

Antes dos problemas existirem (vide o post 1), algumas etapas vieram e graças a elas hoje temos todos esses problemas. Não que estes só existam devido as etapas anteriores, pelo contrário, esses problemas poderiam ser muito maiores caso não tivessemos feito direito as lições de casa. A primeira surge meio que expontaneamente como qualquer outro pensamento que insiste em visita-lo frequentemente. Antes do roteiro, você tem apenas uma idéia. Só. Ela pode ser estúpida ou inocente, mas mesmo nesses casos, há a possibilidade de algum tipo de aproveitamento. Pode se dizer que foi mais ou menos com uma dessas idéias que decidi escrever o roteiro. Pensei numa menina que perderia tudo no começo do filme para em seguida, embarcar numa espécie de viagem auto-consciente em busca de respostas para os acontecimentos a sua volta. Rotoscopia. Pensei também em fazer isso através dessa técnica, já que assim, estaria mais livre para criar situações pouco prováveis de serem concebidas nos meios "independentes" de se fazer cinema no Brasil.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Hoje



26.000 ou 13.000. Não importa, de qualquer modo a conta é alta. A história está pronta, filmada e editada. Mas inventamos em conta-la através de desenhos que no fim, substituem a imagem captada e dão ao filme uma cara estranha, porém interessante. E é aí que os milhares de frames aparecem. Precisamos desenhar quadro-a-quadro tudo que filmamos anteriormente. É trabalho que não acaba mais.

Eis que temos outro problema: o tempo. Talvez este seja nosso maior vilão. Um vilão que é inexistente na história do filme em si, mas se faz presente nas frequentes batalhas vividas nas produções independentes. Além do tempo, temos ainda: orçamento apertado, dificuldades técnicas e pouca experiência. Essa poderia ser uma história sobre uma criança pobre e especial que tenta vencer na vida, mesmo com pouquíssimas chances. Um Forest Gump. E já que o exemplo veio, é dele que precisamos tirar uma fonte de inspiração: temos que correr.